A continuação da trajetória de Pedro
Mais um dia de trabalho se foi. Assim que Pedro desembarca em sua estação, ele observa o trem ainda parado e de portas abertas. Observa procurando um rosto conhecido por entre os vagões. Todos os dias, o mesmo costume.
Pele clara e olhos escuros como jabuticaba. Um rosto que não se esqueceu, mesmo alguns meses depois de ter se despedido. Com tanta coisa "entalada" na garganta, era difícil se esquecer dela.
Pedro havia se conformado com sua situação em relação à garota de olhos-jabuticaba. Nunca mais a viu. Ela nunca retornou suas mensagens e seus telefonemas. Ainda assim, Pedro esperava um dia, ao acaso do destino, reencontrá-la e lhe dizer algumas palavras.
Um belo Domingo de sol. Todos esperam na plataforma de embarque pela chegada do trem. Sim, Pedro também está lá. Sentado à sombra. Seus amigos o aguardam em outra região da cidade.
Em meio a famílias, casais de namorados e amigos, um rosto familiar se destaca em meio aos estranhos. Pedro não via esse rosto há muito tempo. Pele clara (muito clara, por sinal) cabelos e olhos negros como jabuticaba... A garota finalmente apareceu. E era impossível Pedro esconder sua admiração. Assim como foi impossível esconder a reação dela...
Nojo. Ela demonstrava que a pior coisa do mundo era ter reencontrado Pedro alí, por acaso. Impossível não perceber que a garota de olhos-jabuticaba não queria de modo algum ter visto Pedro.
Veio em sua direção, o comprimentou, trocaram pouquíssimas palavras e ela se foi, para a outra ponta da plataforma, o mais longe possível de onde Pedro estava.
Nada! Todas aquelas coisas que Pedro tinha pra dizer, sumiram. Não conseguiu dizer nada. Era como uma piada de mau gosto que o destino havia lhe preparado. "Você quer tanto vê-la? Aí está."
Pedro sentiu uma grande mistura de sentimentos e em seguida, uma tristeza profunda. Pobre Pedro. Ingênuo.
A garota de olhos-jabuticaba tem seus motivos pra não gostar de Pedro, para não querer rever Pedro. Motivos desconhecidos, algo que somente ela sabe, e que Pedro continuará sem saber.
No fundo, Pedro se sentiu feliz em poder rever aqueles olhos escuros.
Escuros como jabuticaba.
Musa em estilo Art Nouveau